Arquivo do blog

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Epifanias Literárias – poéticas de acontecimentos na cidade



Epifanias Literárias – poéticas de acontecimentos na cidade

Ana Prado
Programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro

anaprado.arte@gmail.com

1. Introdução

Este artigo propõe analisar questões do espaço urbano, trazendo a luz a importância das manifestações textuais escritas nos muros e paredes da cidade do Rio de Janeiro, classificando-os como Grafite Literário (GL), terminologia adotada por essa pesquisadora, para uma abordagem específica de um tipo de grafite muito em uso nas cidades contemporâneas. Busca-se aqui, portanto, identificar através dos grafites, relações e transgressões, numa visão transdisciplinar e epistemológica, que possam trazer à luz dinâmicas de ocupação do espaço urbano e maneiras pelas quais a cidade vem dialogando com as manifestações de natureza política, poética e literária. Em especial vamos analisar dois GLs, entendidos como uma epifania literária, título desse artigo, cujo nome foi tomado emprestado do Instagram do poeta Jaime Filho. Ao  observarmos mais de perto esses GLs, identificamos através de seus escritos uma vontade de mostrar aos citadinos, a necessidade de uma vida mais humanizada e vivências urbanas sensíveis, visto a grave crise social, econômica, política e ecológica pelas quais estamos imersos. Ao mesmo tempo, realçamos questões do estado de consciência com que os artistas, através dos grafites firmam aspectos do acerca desse complexo mente – consciência revelador de sensações e afetos, em relação à realidade apreendida nas experiências do cotidiano (MANDELLI, 2018, p.113). 

2. A arte de grafitar

Na história, o hábito de grafitar que se tem notícia, data do período pré-histórico, como é o caso das pinturas rupestres, encontradas nas paredes e tetos das cavernas, verdadeiras representações artísticas, que simbolizavam um modo de vida da época e de um povo que habitava os primeiros núcleos urbanos. 

Na passagem do tempo a prática de grafitar muros e paredes com inscrições de teor poético ou político ganham força em maio de 1968, na cidade de Paris, com os movimentos da contracultura. Naquele ambiente, jovens descrentes com o rumo do capitalismo e usando tinta spray, rasgam o verbo para falar e expressar nos muros da cidade sua insatisfação. Essa prática percorre o mundo, e como não poderia deixar de ser, o artista acompanha e age nesse processo. Jean Michel Basquiat é um exemplo em Nova York (Figura 1), seus grafites tem uma forte contestação política, representado o que acontecia mundialmente naquele momento histórico. 


Figura 1- Jean Michel Basquiat em ação no centro de Nova York em 1981. 
Fonte: Foto de Edo Bertoglio, https://saopaulosao.com.br/conteudos/recomendados/3473-retrospectiva-de-jean-michel-basquiat-1960-1988-com-80-obras-chega-ao-brasil-pela-primeira-vez.html#

Os grafites se expandem, e se tornam presença marcante no cenário cultural no mundo inteiro. Eles ocupam o epicentro da arte urbana, se utilizando de técnicas em pinturas sofisticadas aplicadas em tamanhos gigantescos nas grandes empenas dos prédios, muros e ou outras superfícies pela cidade. Ao longo desse processo, o grafite ganha reconhecimento no campo da arte, e participa como elemento cultural nas reestruturações urbanas, ou nas chamadas requalificações urbanísticas nas cidades pelo o mundo todo. 

A partir dessas premissas, mas na contramão dessas experiências urbanas, encontramos também uma outra linguagem nos muros e paredes da cidade, que pulveriza um discurso importante para ser apreendido, e que como já delineei acima, são textos e ou mensagens difundidas pelos GLs. Buscando realçar a importância desse discurso urbano, é importante observar que os GLs não estão inseridos numa agenda urbana de culturalização, portanto não se encontram nas soluções das ditas "cidades criativas" (SELDIN, 2015, p.54). Eles são manifestações espontâneas, que surgem da produção feita por artistas, mas também por outros perfis profissionais, que se utilizam do espaço da cidade para expor e apresentar seu trabalho, pensamento e ou questionamentos que marcam a vida do citadino. Os GLs ainda guardam uma rebeldia e irreverência, que se situa no contexto performático de ações efêmeras e rápidas, frente aos impedimentos legais de uso dos muros ou paredes da cidade. Eles têm em sua natureza artística, uma base literária, que se aproxima de pensamentos poéticos, de manifestação política, e ou de posicionamento nos enfrentamentos sociais, que se colocam mediante a contraposição aos interesses neoliberais com os quais nosso país vem enfrentando nos últimos tempos.

Do ponto de vista histórico, um exemplo importante desse tipo de GL, na cidade do Rio de Janeiro é o trabalho do Profeta Gentileza (Figura 2), que nas suas errâncias ganhou destaque, transformando uma série de muros cinzas a céu aberto, em poesia, com frases e mensagens de amorização, que são ícones da cidade – “Gentileza Gera Gentileza”.  Sua ação artística influenciou a vida e o cotidiano dos citadinos nos anos 80, fazendo circular pelo espaço urbano, um discurso repleto de significações, sentidos, memória, numa fala heterogênea e simbólica. Gentileza escreveu o conhecido "Livro Urbano",  que são mensagens grafadas ao longo das 56 pilastras do viaduto do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro, participando ativamente em um momento importante de abertura política no país (YADO, 2016, p.19).

Figura 2 - Profeta Gentileza
Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com/gentileza-gera-gentileza-profeta-gentileza-jose-datrino/

3. Black Friday

Continuando a pensar a cidade e as interlocuções com os citadinos, os artistas constroem estratégias de comunicação com ênfase nas questões sócio espaciais, atuando numa perspectiva etnográfica, realçando formas de olhar e observar os acontecimentos dentro do espaço urbano. Um tipo de GL, no formato de lambe lambe tem sido muito utilizado, como expressão para o trabalho de arte – ativismo de diálogo com a população, com o objetivo de promover reflexões sociais e políticas sobre o momento em que nosso país está vivendo. A Figura 3 – Black Friday Lojas Temer, colado na Av. Presidente Vargas, Centro, RJ, de autoria do artista Marcelo Oliveira é um desses trabalhos, que surgiu no período do impeachment da presidenta Dilma, e que culminou com a tomada de poder pelo vice-presidente Michel Temer. 

O trabalho associa as famosas campanhas de consumismo Black Friday (um dia inteiro de promoções generosas na venda de mercadorias em geral), com o momento do então presidente Temer, que articulou junto à políticos e ao empresariado, numa grande negociata, mudanças na legislação e nos direitos adquiridos no campo da saúde, educação e cultura, cujos interesses se contrapunham aos da maioria da população, com consequências na qualidade de vida do povo brasileiro. Na verdade, o que se viu foi a implantação de uma política neoliberal e antidemocrática. É interessante observar que o trabalho foi pensado cuidadosamente com vários elementos. O pato representado está localizado no centro do losango, cuja forma disposta é a mesma da bandeira do Brasil. O pato é o símbolo da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (FIESP), e acentua bem a dobradinha política pública e negócios, reforçando o empenho com que os empresários participaram na campanha a favor do impeachment, e todos os seus desdobramentos. Do ponto de vista artístico, a técnica utilizada para produzir o trabalho foi em xilogravura (gravura sobre madeira), o que confere uma qualidade ao conjunto da imagem. O objetivo do artista foi de fato, denunciar e trazer questões contundentes da nossa vida política e social, com uma dose de humor, mas sem perder o fio condutor de um trabalho de arte. Não se trata de mera reprodução para colagem indiscriminada pela cidade, mas oferecer uma qualidade visual que instiga o olhar do observador e apresenta novas possibilidades de se comunicar no espaço urbano.


Figura 3 – Black Friday Lojas Temer
Fonte: Foto cedida pelo artista autor do GL

Essa abordagem do artista, suscita dois pontos importantes no que diz respeito ao uso do espaço urbano. Um refere-se à cidade como um espaço de diálogo, e de intervenções artísticas que vem acompanhando as transformações no campo da arte. Outro ponto, refere-se a um certo ativismo, que ressalta questionamentos no espaço urbano e ao mesmo tempo nos diz que algo não está indo muito bem na nossa sociedade, e consequentemente na cidade. Neste sentido, sendo a cidade uma construção humana, e tal qual como ela se expressa nos dias atuais, percebe-se uma desumanização no seu conjunto de práticas espaciais, num complexo de forças mobilizadas por diversos agentes sociais, políticas e econômicas.  Mas esta não é uma questão tão simples, porque em todas essas práticas existe uma alienação destacada por Mauro Iasi, que distancia o indivíduo da natureza, e ao mesmo tempo o afasta do vínculo que o une à sua espécie, transformando a produção social da vida num meio individual de garantir a própria sobrevivência particular (IASI, 1999, p. 25). 

4. Epifania Literária

Trazendo outro formato de GL, destacamos o trabalho do poeta Jaime Filho, que distribui suas epifanias pela cidade, conforme apresentado Figura 4 - Quando eu me for não serei mais eu; serei poema. Epifania Literária é o nome do Instagram (@epifania.literaria), que Jaime usa para divulgar seus trabalhos nas redes sociais e nos impressos distribuídos em vários lugares da cidade do Rio de Janeiro. Jaime é motoboy de profissão, redige seus poemas entre um frete e outro, tirando das alegrias e frustrações cotidianas da rotina áspera da cidade inspiração para escrever. Tem seu primeiro livro publicado “Daquelas Tardes no Leblon”, uma antologia dos poemas que também se encontram publicados no Instagram.


Figura 4 – Epifania Literária – Rua do Riachuelo, Bairro da Lapa, RJ
Fonte: Foto cedida pelo autor


Na escolha do nome Epifania Literária, Jaime reforça que seus poemas são uma manifestação, uma inspiração, um pensamento iluminado sobre a percepção da realidade, uma poética dos sentidos de fácil compreensão para o leitor. É interessante observar, que nesse poema, Jaime realiza uma delicadeza, onde a passagem do tempo marca seu pensamento. Em poucas palavras, esse poema reconhece que somos uma composição poética, que nossa vida se constitui de vários versos, dispersos ao longo do tempo, portanto, somos únicos e ao mesmo tempo o resultado de um conjunto de poemas. Se somos poemas, como poetizar a cidade? Como fazê-la digna de viver?  Citando David Harvey quando ele se refere à cidade e ao pensamento de Robert Park:

A cidade é a mais consistente e, no geral é a mais bem-sucedida tentativa do homem de refazer o mundo onde vive de acordo com o desejo de seu coração. Porém, se a cidade é o mundo que o homem criou, então é nesse mundo que de agora em diante ele está condenado a viver. Assim, indiretamente, e sem nenhuma ideia clara da natureza de sua tarefa, ao fazer a cidade, o homem refez a si mesmo (HARVEY, 2012, p.73).

A cidade pensada como um desejo, pode ser entendida na relação em que eu, você, nós e eles desejamos juntos, na perspectiva da construção de um estado de direito para todos. Assim, podemos reconhecer que o direito à cidade, não se restringe apenas na nossa capacidade de ir e vir, mas no direito à vida urbana. Não se trata do direito de acesso àquilo que já existe, mas no direito de mudar as coisas, conforme nossos desejos. Além disso, o direito é comum, muito mais que individual, já que a transformação depende inevitavelmente do exercício do poder coletivo nos processos de urbanização. Então, se ao fazer a cidade, o homem refaz a si mesmo, se faz necessária uma avaliação continua do que poderemos estar fazendo de nós mesmos, e com os outros. Jaime com seus poemas espalhados pela cidade, evoca uma cidade possível e amorosa, e nos convida para um ato responsável de como estar e viver coletivamente.

5. Conclusões

Nos parece que as manifestações dos GLs nos muros da cidade, poeticamente falando, na pele da cidade, são pequenas erupções que eclodem de um processo interno, e quando não tem mais para onde ir explodem e se apresentam externamente, denunciado que algo não vai bem, e consequentemente informando a necessidade de um tratamento, tal qual acontece com o corpo humano. A pele é o órgão mais visível e fácil de interpretar, porque escancara uma série de mazelas internas, nos obrigando a reflexões e cuidados especiais para voltar a uma vida saudável. A cidade como um corpo, reflete a mesma coisa, e responde com inúmeras manifestações de várias naturezas, expondo os desequilíbrios, e o quanto nos distanciamos de uma qualidade de vida urbana mais harmoniosa, coletiva e amorosa. 

Nessa configuração corpórea existe um entrelace entre o dentro e fora, um devir que vai na direção do fora em conjunção com uma paisagem interna. O lado de fora é um espaço-tempo entreaberto por sensações, evidenciando que o afeto e o percepto ocorrem instantaneamente (MACIEL, 2018, p.19). 

O esforço dos artistas, quando na composição dos GLs, expõem elementos importantes, entre o desejo e as formas necessárias para a realização desse desejo. Podemos dizer que os GLs seriam mecanismos de realização dos desejos, atuando numa linguagem direta, escrita em formatos diversos e com significados distintos seja político, literário e poético. Talvez nos GLs existam uma vontade de interagir no inconsciente fragilizado das pessoas, que circulam no território da cidade, como diz Laura Buroco (2019, p.180). Uma vontade de oferecer momentos de subjetividade e poesia. Poesia aqui não precisa ser reconhecível como poesia para ser poesia, ao contrário, mas sim reconhecida como uma experiência, uma prática, uma ação (PENNA, 2017). Ação que instiga reações nas pessoas, que as ajudem nem que seja por um momento, colocar um sorriso e ou uma expressão de alerta, sobre que tipo de vivências estamos compartilhando na cidade.  Aqui, percebe-se a importância das questões psicológicas do sujeito individual na cidade, e que segundo George Simmel, esse tipo de homem metropolitano formado por intensos estímulos nervosos, resulta da alteração brusca entre estímulos exteriores e interiores, que determina nosso comportamento na cidade. 

O homem é uma criatura que procede a diferenciações, neste sentido sua mente é estimulada pela diferença entre a impressão de um dado momento e a que a precedeu [...]. Com o atravessar a rua, com o ritmo e a multiplicidade da vida econômica, ocupacional e social, a metrópole extrai do homem uma quantidade de consciência diferentes, num ritmo de vida muito mais acelerado, se comparado à uma cidade rural (SIMMEL, 1973, p.12).

Estamos o tempo todo alterando profundamente nossas relações com o ambiente, e com tudo a nossa volta, isso significa que a realidade observada não é apreendida de forma direta e passiva, e sim abstraída e ativamente interpretada a cada instante pelas estruturas presentes no cérebro. Pode-se argumentar desta maneira que a consciência cria, a todo instante, o mundo e seus objetos, desde as percepções do sistema nervoso, passando pelo corpo, até as elaborações mais abstratas (MANDELLI, 2018, p.114). Ainda segundo Mandelli, nesse complexo corpo-mente, a consciência pode ser entendida como o sujeito da experiência em todas as suas formas. De acordo com as tradições da cultura indiana, a consciência é aquilo que é luminoso, o que significa ter o poder de revelar, tal qual a luz. (MANDELLI, 2018, p.127).  

Frente a esses processos, pode-se entender que o artista ao criar os GLs, eleva sua experiência a uma consciência que revela, ou seja, ilumina e joga luz sobre a cidade, pois é a partir da consciência que as percepções, as memórias, o futuro sob as condições de esperança e expectativa emergem.

Somos testemunhas, observadores, partilhando sonhos e desejos. O  artista circula por esse espaço da partilha, ou seja, na partilha do sensível denominado por Rancière (2009) como aquilo que revela um comum, e suas respectivas partes definidas nos lugares, um comum partilhado e com partes exclusivas: 

[...] essa repartição de partes e dos lugares se funda numa partilha de espaços, tempo e de tipo de atividades, que determina propriamente a maneira como um comum, se presta à participação, e como uns e outros tomam parte dessa partilha. (RANCIÈRE, 2009, p.15)

A cidade como um complexo de estruturas sócio políticas e econômicas, e sendo uma criação humana, tem na possibilidade da partilha, revelar o comum através dessas manifestações textuais dos GLs. Trata-se de um olhar coletivo sobre os sistemas implantados no espaço urbano, que busca agregar valor às demandas necessárias para a melhoria da qualidade de vida do citadino. Se descobrimos que nossa vida urbana se tornou estressante e ou alienante, temos o direito de mudar e refazer na construção da cidade que queremos. Portanto o tipo de cidade que queremos, se torna inseparável da pessoa que desejamos ser (HARVEY, 2012, p. 73).  Hoje mais do que nunca, a pessoa que desejamos ser, precisa instaurar uma visão ecológica da nossa existência. Airton Krenak se refere aos povos indígenas, não como indivíduos, mas como “pessoas coletivas”, com capacidade de transmitir através do tempo suas visões do mundo - nos parece que eles têm muito a nos ensinar. Nos últimos tempos, a gente não faz outra coisa senão despencar, cair, cair, cair. Então, vamos aproveitar nossa capacidade critica e criativa, construir paraquedas coloridos, e pensar no espaço não como um lugar confinado, mas como o cosmos, onde a gente pode despencar em paraquedas coloridos (KRENAK, 2019, p.28, 30).

Referências bibliográficas 

BUROCO, L. Atrocidades Maravilhosas e Tupinambá Lambido: ocupações imagéticas na cidade do Rio de Janeiro entre Afeto Política e Arte. PÓS Revista do Programa de Pós - Graduação em Artes EBA/UFMG. v.9, n.18: nov.2019. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistapos . Acesso em: 20 outubro 2020.

FILHO, J. Daquelas tardes no Leblon” Rio de Janeiro: Frutos da Poesia disponível em: https://www.frutosdapoesia.com/nossos-autores . Acesso em: 20 outubro 2020.

HARVEY, D. O Direito à cidade. Revista Eletrônica Lutas Sociais, 2012, n.29. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/ls/article/view/18497/13692.Acesso em: 11 mar.2020.

IASI, M. L. Processo de Consciência. Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro (CPV), São Paulo,1999.

KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

MACIEL, A. A Transdisciplinaridade da consciência. Rio de Janeiro: Edite, 2018, p. 9-28.

MANDELLI, R. A Transdisciplinaridade da consciência. Rio de Janeiro: Edite, 2018, p. 113-140.

RANCIÈRE, J. A partilha do sensível. São Paulo: Editora 34, 2009.

SELDIN, C. Da capital de cultura à cidade criativa: resistências a paradigmas urbanos sob a inspiração de Berlim. Tese (Doutorado em Urbanismo) - Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da Faculdade da Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2015.

PENNA, J. C. O dispositivo questions théoriques. Seminário de pós-graduação: poética das ocupações, poéticas da intervenção – entre arte e ativismo, 2017. Disponível em: https://joaocamillopenna.wordpress.com/2017/03/ . Acesso em: 20 junho 2017.

SIMMEL, G. A metrópole e a vida mental. In: VELHO, Otávio. (org.) O fenômeno urbano. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1973. p. 11-25.

YADO, T. H. M. Sentidos no espaço urbano: os dizeres de Gentileza dentro e fora da cidade. Tese (Doutorado) - Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos, 2016.


Artgo publicado no Congresso Scientiarum História XIII - 2020


quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Narrativas Visuais: grafites literários relações e transgressões no espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro


Narrativas Visuais: grafites literários relações e transgressões no espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro

Ana Prado
Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia (HCTE), Universidade Federal do Rio de Janeiro.
anaprado.arte@gmail.com

1. Informações Gerais 

Esse artigo busca analisar três grafites encontrados no centro da cidade do Rio de Janeiro e que denominamos de "Grafite Literário" (daqui por diante vou me referir a eles com a sigla "GL"), por ser um tipo de grafite onde o uso da palavra é mais fortemente usado para expressar algo, para conversar e se manifestar no espaço urbano. Busca-se identificar relações e transgressões, que possam trazer a luz dinâmicas de ocupação do espaço urbano e de como a cidade vem sendo afetada por essas iniciativas. Diferentemente dos grafites desenvolvidos com desenhos ou imagens, os GLs são uma maneira rápida e direta de falar e expressar situações de conflitos e poéticas afetivas. O gênero poesia está sendo abordado aqui, por se assemelhar em muito com as frases curtas e ou versos, rimas e estrofes de um GL, de forma a nos auxiliar nessas reflexões. Dois autores de poesia serão utilizados como referência, Manoel de Barros e João do Rio, porque possuem narrativas que nos ajuda a analisar o que pode estar por trás de um GL na cena urbana da cidade do Rio de Janeiro. Também são referenciados outros pensadores tais como Milton Santos importante para reflexão sobre a cidade globalizada, Henri Lefebvre por nos trazer questões do uso do espaço urbano e Marisa Florido pontuando a questão das artes na cidade.


2. A cidade como esforço de poesia

O fenômeno urbano, nos seus primeiros grupos humanos (coletores, pescadores, caçadores, talvez pastores), marcou e nomeou as topias (lugar),  sendo mais tarde consolidado pelos camponeses como espaço urbano (LEFEBVRE, 2002, p.20). Na história, esses lugares foram cheios de significados, ligados a rituais religiosos, fruto de certa inquietação. Merece destaque as cavernas de Lascaux e Altamira, entre outros, lugares que desempenharam papel importante social, com suas pinturas rupestres, seja para rituais ou identificação de suas presas, abrindo caminho para as primeiras experiências urbanas, e para as cidades posteriormente (MUMFORD, 2004, p.13 e 14). 

Na passagem desse tempo tão remoto da cidade, para as experiências de vida urbana, hoje, o mundo globalizado é o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista. Segundo Milton Santos (2010, p.23) a cidade é o campo onde a representação desse mundo espelha em suas mais variadas formas de expressão, acontecimentos de diversas naturezas, artísticas, culturais e políticas. A globalização abriu espaço para discursos urbanos, que reagem ao mundo desigual, fruto de uma globalização perversa (SANTOS, 2010, p. 6). 

Esse mundo globalizado ao longo da história das cidades vem ativando potências artísticas que se notabilizaram em aspectos sociais, e mais fortemente a partir da década de 90, se expandiu com maior ênfase na ocupação dos espaços públicos. O artista torna-se então um mediador social, ativando mesmo que temporariamente o convívio e em alguns casos como um etnógrafo de micro estratégias de territorialização, em outros interferindo através de pequenas táticas no habitat, evocando situações rápidas e perturbadoras, pequenos ruídos na entropia urbana (FLORIDO, 2017). São diversas as linhas de diálogos que colocam em cheque vivências da arte de várias naturezas: arte colaborativa, arte participativa, arte engajada, ativismo, coletivo de arte, arte comunitária, artista em residência, site specific.

No campo da arte cada uma dessas vivências foram se constituindo num processo histórico desencadeado pela arte conceitual, que num desvio de percurso, desloca o objeto do cotidiano para outra perspectiva, dando a chance de uma mudança de olhar do espectador e ativando sensações outras, diferentes da mera apreciação de uma pintura e ou de uma escultura nos moldes da tradição na arte. Nessa perspectiva a cidade passa a ocupar um lugar de destaque e um campo fértil para essas transgressões, repleta de iniciativas artísticas, que transitam com suas diferentes linguagens, num esforço de comunicação com o público, seja com falas de contestação ou amorosas. A cidade se transforma num lugar que reproduz modos específicos, individuais e diversos da totalidade do mundo, se torna um lugar de afeto.

É importante destacar que estudos sobre grafite em geral, já foram amplamente discutidos e sua forma de expressão transitou da transgressão e rebeldia, para ocupar lugar de destaque nas galerias de arte, e de se inserir no mercado através do interesse dos empresários em divulgar suas marcas e produtos. Hoje o grafite também é utilizado para compor esteticamente os espaços de revitalização implantados pelos projetos de reestruturação urbana como é o caso no Rio de Janeiro do Porto Maravilha. Mas em especial o GL, ocupa um lugar diferenciado nas cidades, porque sua forma de comunicação é simples, e as reflexões com suas frases de humor, crítica, poética são quase sempre efêmeras, se apropriando de técnicas de impressão digital sobre papel, lambe lambe, spray. Ao mesmo tempo essas frases estão sujeitas a sobreposições de outras frases, por artistas e ou pessoas anônimas, criando outros significados sobre a proposta original. Portanto o caminho aqui percorrido busca identificar que tipo de conflitos os GLs estão trazendo para a cena urbana na cidade do Rio de Janeiro e de que maneira a cidade vem se relacionando com essas manifestações.

2.1 Pessoas desimportantes servem para poesia  

Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia (...) 
Um chevrolé gosmento, coleção de besouros abstêmios, o bule de Braque sem boca, são bons para poesia (...) 
Tudo aquilo que a nossa civilização rejeita, pisa e mija em cima, serve para poesia (...)
O que é bom para o lixo é bom para poesia (...)
As coisas jogadas fora têm grande importância - como um homem jogado fora (...) 
(BARROS, 1970, p.11-14)

Para ilustrar vamos iniciar nossa conversa com o poeta Manoel de Barros, cujo olhar para o mundo sempre nos surpreendeu. Extremamente atento aquilo que muitas vezes nos passa despercebido, seja num galho de árvore ou uma pedra, mas que na delicadeza da sua poesia se apresenta com uma riqueza de imagens e possibilidades. Sua linguagem é simples e ao mesmo tempo complexa, e requer certa abertura para vivências desconcertantes, já que um "chevrolé gosmento, ou um cuspe à distância, significa o que? Ficamos nos perguntando o quanto essa frase desconcertante nos leva para um mundo onírico e que provavelmente nos desloca de um lugar de conforto para a reflexão sobre o que é um chevrolé gosmento, ou mesmo um cuspe a distância que lembra nossas brincadeiras de infância.  No verso "o que é bom para o lixo é bom para a poesia", podemos encontrar no artista Vik Muniz com o seu belo trabalho de fotografia e registrado no filme documentário "Lixo Extraordinário" , o quanto esta afirmação é verdadeira. Quando Manoel de Barros diz que serve para poesia, talvez seja porque na sua generosa forma de se comunicar, ele vai dar voz a uma inquietação, ouvindo sua mais silenciosa forma de estar, dizendo que se importa, e convidando o leitor para um convívio social, atento ao que está a nossa volta e, portanto resgatando, nem que por um instante a sua mais profunda natureza, em diálogo com a totalidade do ser. 

Assim, a representação de um GL na parede ou muro, pode aparentemente não servir para nada, mas serve para poesia, serve para contestar, serve para falar e se comunicar com o outro e com a cidade. No rastro dessas experiências de representação ao longo da história do homem, saindo da parede para uma evolução gráfica, em especial na cidade do Rio de Janeiro, o que no passado se manifestava e ainda se manifesta através de uma iconografia política nos cartuns, revistas entre outros, o GL hoje é mais uma forma de expressão da arte, colocando em questão o público e o privado.

Como exemplo na Figura 1 - Vende-se Carne Negra tel 190 encontramos uma forte crítica social e política, da discriminação racial e dos conflitos constantes de mortes da população negra. O telefone 190 é o numero da policia militar para pedido de ajuda a qualquer tipo de agressão sofrida ao cidadão. Mas aqui, esse número representa o ultimo lugar onde principalmente a população negra poderia pedir ajuda. Observamos que nesta simples frase está descrito um conflito, que se perpetua desde o período da escravidão, portando não muito diferente dos anúncios de venda de escravos do século retrasado, como pode ser visto na Figura 2 - Vende-se huma Preta de Nação, rapariga, parida ha trez semanas da primeira barriga, com muito leite, e bom; e o filho masculino: ella boa de engomar liso, e ensaboar, tudo com perfeição e o mais serviço de huma casa de família; quem a pretender procure na Rua do Alecrim, n. 147., datado de 04/09/1922.

Figura 1 - Grafite encontrado na parede do Banco Itaú na rua da Assembléia,
 centro do Rio de Janeiro em 25/04/18

Figura 2 - Vende-se huma Preta de Nação.. Jornal O Volantim 04/09/1822


O destaque do anuncio de 1822 está no fato da preta ter muito leite, portanto ideal para ama de leite, e de ter parido filho homem, bom para o trabalho pesado no futuro, informações muito comum, para venda de escravos, antes da abolição da escravatura, promulgada em 13 de maio de 1988. Já o GL de 2017. Hoje, mesmo depois da promulgação da constituição de cinco de outubro de 1988, o GL se destaca pela afirmação de que a população negra ainda é exposta à violência e à discriminação racial, passado quase dois séculos de distância entre ambos os anúncios. Os dados não mentem, no Brasil em 2017, 75,5% das vítimas de homicídios foram indivíduos negros, cerca de 43 negros a cada 100 mil habitantes, ao passo que a taxa de não negros é de 16 a cada 100 mil habitantes .

A poesia de Manoel de Barros, no trecho "As coisas jogadas fora têm grande importância - como um homem jogado fora" (BARROS, 1970, p.14), também vai encontrar essa crítica, em que se percebe sem dúvida alguma, que o ser humano vive um constante conflito social, sua poesia é contundente nesse sentido, para reflexão da cidade hoje. Quantos homens são jogados fora, quantas vidas são desvalorizadas em meio às cidades do passado e atual. Existe uma distopia e ao mesmo tempo uma esquizofrenia, à medida que as cidades acolhem os vetores de globalização, ao mesmo tempo em que produz uma acelerada produção de pobres e excluídos, tudo isso numa cidade cada vez numerosa (SANTOS, 2010, p.14). 

Uma possível resposta para a evidência desses conflitos, não sendo a única, talvez seja que as nossas cidades ainda possuem grandes bolsões de miséria e carência de serviços públicos. No caso do Rio de Janeiro as favelas não deixam dúvidas, sofrem com a falta de infra estrutura e principalmente sem reconhecimento do seu território na malha da cidade. Apesar de esforços de projetos e investimentos, como foi o Programa Favela Bairro , ainda vivemos numa "Cidade Partida"  . Cabe destacar, e aqui vale o pensamento do Darcy Ribeiro sobre as políticas econômicas que atravessam o Brasil desde o seu surgimento:

"O Estado Brasileiro não tem nenhum programa de reestruturação econômica que permita garantir pleno emprego a essas massas dentro de prazos previsíveis. Que fazer? Prosseguir o genocídio dos pioneiros que na terra de ninguém da Amazônia procuram seu pé de chão?(...) Insistir num liberalismo aloucado, que regeu a economia desde 64, enriquecendo os ricos e empobrecendo os pobres? (...). Continuar imbuídos da ilusão de que o melhor para o Brasil é o espontaneísmo, regido pelo lucrismo dos banqueiros, que acabará por resolver nossos problemas? Até quando este país continuará sem seu projeto próprio de desenvolvimento autônomo e auto-sustentável? (RIBEIRO, 1995, p. 203)"

Seguimos buscando respostas, as pessoas reagem, se unem em busca da sobrevivência e o artista nesse contexto percebe essas contradições, atua, criando ruídos reveladores nesses escritos, provocando sensações e sentimentos diversos.

Na contramão do GL anterior, a Figura 3 mostra um estêncil com pintura associado à fotografia da escritora Conceição Evaristo , com a seguinte frase na parte superior do grafite, "Uma mulher negra com uma faca é uma arma, uma mulher negra com um livro também". Que frase maravilhosa essa, a idéia de deslocar o olhar, para uma visão comprometida diante do conflito, ou seja, uma ação de não violência, apenas usando o livro como um elemento de poder, o que afirma o pensamento de Darcy Ribeiro, que muito lutou pela educação no Brasil.

Figura 3- Grafite encontrado na Rua do Carmo, centro Rio de Janeiro em 17/05/19

2.2 A rua nasce como o homem, do soluço, do espasmo 

"A rua nasce como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita de esforço exaustivo de muitos seres (...). A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas. (RIO, 2008, p.30)".

Encontramos em João do Rio um dos mais importantes jornalistas do início do século passado, que soube como ninguém revelar o espírito da rua na sua época, e que sem dúvida alguma ainda nos surpreende com suas crônicas. Em se tratando de GL, não poderíamos deixar de lembrar das suas definições e sentimentos em relação à rua, especialmente no que diz respeito à cidade do Rio de Janeiro.

Assim, trazemos aqui a Figura 4, o GL "Eu Amo a Rua", o qual provavelmente é um verso que tocaria profundamente o coração de João do Rio. Quando ele diz que a rua é a mais igualitária da obra humana, ele coloca o espaço da rua como um verdadeiro lugar de encontro, de possibilidades, uma eterna imagem da ingenuidade. Nesse contexto o GL nos convida a acreditar que a sociedade urbana é possível, e que a prática social está em marcha, à prática urbana está em via de constituição, apesar dos obstáculos que a ela se opõe (LEFEBVRE, 1999, p 28). Profundo observador da rua, João do Rio era um flâneur, tinha o vírus da observação e da vadiagem, de andar por aí dia e noite. Ao se amar a rua nos abrimos para infinitas possibilidades de vivências, até ser inútil, e como dizia Manoel de Barros, o inútil também serve para poesia.

Figura 4 - Grafite encontrado na Rua do Carmo, 
centro do Rio de Janeiro em 25//04/18


3. Conclusão

No entrelaçamento das questões aqui abordadas, arte e artivismo, espaço urbano e poesia buscamos identificar possíveis conflitos ou simples expressões de falas narradas nos muros da cidade do Rio de Janeiro. 
Não podemos deixar de descartar nesse processo dos GLs, a dimensão pública e privada que rege a vida das pessoas na cidade contemporânea. Muitas das manifestações são de artistas e ou pessoas anônimas, que por algum motivo tornam público um sentimento, que sai da esfera privada e alcança a vida pública, e quem sabe dando voz a necessidade de uma relação social mais impessoal, se deslocando do psiquismo interior, onde as pessoas estão extremamente preocupadas com a sua vida interior, e indo em direção a uma res publica que representa em geral aqueles vínculos de associação e compromisso mútuo fora dos laços de família, como afirma Richard Sennett (1988, p.16). Ao mesmo tempo a questão da globalização das cidades coloca em discussão os limites do estado nacional frente a uma globalização perversa, que traz um modelo hegemônico planejado, que atua de forma individual, indiferente a seu entorno. Na teia desses acontecimentos, os Gls reclamam por uma cidadania, a qual depende de soluções locais, dentro da nação, numa nova estruturação político-territorial, com a uma redistribuição de recursos, prerrogativas e obrigações (SANTOS, 2010, p.113).

Na cidade contemporânea, conforme afirma Henri Lefebvre (LEFEBVRE, 1999, p. 29) a rua é o lugar (topia) do encontro, sem o qual não existem outros encontros. Lefebvre se coloca como um espectador da rua, porque ele vê na rua um teatro espontâneo. Em sendo um teatro, é nesse lugar que o artista constrói seu espaço de fala e potencializa, no caso dos GLs, sua forma de expressão nas palavras. Então, no fluxo desse processo em curso nas cidades globalizadas, os artistas vão viver conflitos e questionamentos no campo das artes, com mudanças significativas, percorrendo um deslocamento do objeto artístico, para contingências sociais e práticas que reformulam um devir daquele contexto inicial, da posição entre artista e o público. Nos grafites de uma maneira geral se desenham essas novas outras formas de arte, sai o objeto, entra a palavra, como é o caso do GL, que dentro do movimento que se inicia a partir da década de 90, podemos classificá-los como poéticas da vida, acreditando na experiência como fator de transformação individual, mas ao mesmo tempo apostando no alcance ampliado da transformação social (VINHOSA, 2010, p.200).

4. Referências

ATLAS DA VIOLÊNCIA 2019. Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=34784&Itemid=432 . Acesso em: 21 nov. 2019.

BARROS, Manoel de. Matéria de Poesia. Rio de Janeiro: Record, 2007.

FLORIDO, Marisa. Cursos livres - Transformações na prática artística: entre a rua e o ateliê: o artista e a cidade, parte1. Vídeo disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=f1SpEwnSD5k. Acesso em: 21 nov. 2019.

LEFEBVRE, Henri. A Revolução Urbana. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002.

MUNFORD, Lewis. A Cidade na História: suas origens, transformações e perspectivas. São Paulo: Martins Fontes, 2004. 

RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

RIO, João do. A alma encantadora das ruas. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2010.

SENNETT, Richard. O Declínio do Homem Público: As tiranias da intimidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

VENTURA, Zuenir. Cidade Partida. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 1994.

VINHOSA, Luciano. O que a arte faz? In: VINHOSA, L. (org.). Horizontes da Arte. Rio de Janeiro: Nau, 2010, p 185-206.

Artigo publicado no Congresso Scientiarum XII em 2019


A transdisciplinaridade no pensamento indígena Ana Prado Programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, ...